Os vetores críticos do risco digital segundo o WEF 2026

Cibersegurança e competitividade global

Wyss Notícias

1/14/20264 min ler

O Global Cybersecurity Outlook 2026, publicado em 14 de janeiro de 2026 pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), posiciona a cibersegurança no centro da agenda de competitividade econômica global. O relatório indica que a combinação entre fraude cibernética em escala global, adoção acelerada de inteligência artificial e fragmentação geopolítica está promovendo uma transformação estrutural no ambiente digital, com impactos diretos sobre produtividade, confiança institucional e estabilidade dos mercados.

O WEF trata a cibersegurança como um ativo estratégico, essencial para a resiliência das economias e para a capacidade competitiva de empresas e países em um cenário cada vez mais digitalizado e interconectado.

Fraude cibernética como risco sistêmico à competitividade

Um dos principais achados do relatório é a consolidação da fraude cibernética como a ameaça digital mais disseminada globalmente, superando o ransomware como principal preocupação dos CEOs. Em 2025, 73% dos entrevistados afirmaram ter sido diretamente afetados ou conhecer alguém impactado por fraudes ou phishing, evidenciando o caráter transversal do problema.

Do ponto de vista econômico, a fraude corrói pilares fundamentais da competitividade: confiança nos mercados digitais, integridade das transações e previsibilidade operacional. Ao distorcer incentivos, elevar custos de conformidade e ampliar riscos reputacionais, a fraude passa a atuar como um freio estrutural ao crescimento, especialmente em economias fortemente dependentes de serviços digitais e financeiros.

Inteligência artificial: aceleração de riscos e vantagens competitivas

A inteligência artificial emerge no relatório como o principal vetor de transformação da cibersegurança em 2026. 94% dos líderes globais acreditam que a IA será a força mais impactante na segurança cibernética, enquanto 87% relataram aumento de vulnerabilidades associadas a IA apenas no último ano — a categoria de risco com crescimento mais acelerado.

Dois eixos concentram as maiores preocupações:

  • Vazamentos de dados associados à IA generativa (34%), impulsionados por uso inadequado de modelos, dados sensíveis e integrações não governadas;

  • Ampliação das capacidades adversárias (29%), com ataques mais sofisticados, automatizados e escaláveis.

Ao mesmo tempo, o relatório destaca que organizações mais maduras estão incorporando a IA como fator de vantagem competitiva defensiva, ampliando investimentos em avaliação e governança de segurança de IA — percentual que saltou de 37% para 64% em um único ano. Nesse contexto, a diferença entre líderes e retardatários em cibersegurança tende a se ampliar, reforçando assimetrias competitivas.

Geopolítica, soberania digital e risco econômico

A fragmentação geopolítica aparece como elemento central na redefinição do risco cibernético global. 64% das organizações já consideram ataques cibernéticos de motivação geopolítica em suas estratégias de risco, percentual que chega a 91% entre grandes empresas.

Entretanto, o relatório aponta uma queda relevante na confiança quanto à capacidade de resposta dos Estados a incidentes cibernéticos de grande escala. 31% dos entrevistados expressaram baixa confiança na preparação nacional, com diferenças regionais marcantes: enquanto o índice de confiança alcança 84% no Oriente Médio e Norte da África, cai para apenas 13% na América Latina e Caribe.

Essa disparidade afeta diretamente a competitividade regional, pois a previsibilidade regulatória, a proteção de infraestruturas críticas e a estabilidade digital tornaram-se fatores-chave para atração de investimentos e integração a cadeias globais de valor.

Cadeias de suprimentos digitais e vulnerabilidade sistêmica

O relatório reforça que a crescente interdependência digital transformou cadeias globais de suprimentos em um dos principais vetores de risco sistêmico. Entre grandes empresas, 65% apontam riscos de terceiros como a maior barreira à resiliência cibernética, acima dos 54% registrados no ano anterior.

Incidentes recentes envolvendo grandes provedores de nuvem e serviços de internet evidenciam o chamado risco de concentração, no qual falhas pontuais podem gerar efeitos em cascata sobre ecossistemas inteiros. Para o WEF, essa dinâmica exige uma revisão profunda dos modelos de gestão de risco, com foco em transparência, redundância e governança de fornecedores críticos.

Desigualdade cibernética e assimetrias competitivas

Outro ponto central do relatório é o avanço da desigualdade cibernética. Organizações de menor porte têm o dobro de probabilidade de relatar resiliência insuficiente quando comparadas a grandes empresas, o que amplia barreiras de entrada e reduz a capacidade de competição em ambientes digitais complexos.

Regionalmente, a escassez de talentos em cibersegurança é mais aguda na América Latina e Caribe, onde 65% das organizações relatam falta de competências adequadas, e na África Subsaariana, com índice semelhante (63%). Essa lacuna estrutural limita a adoção segura de tecnologias avançadas e compromete ganhos de produtividade associados à transformação digital.

Cibersegurança como fundamento da competitividade

O WEF conclui que a cibersegurança deixou de ser uma função técnica isolada para se tornar um requisito estrutural da competitividade econômica, da estabilidade nacional e da confiança pública. A recomendação central do relatório é clara: resiliência cibernética efetiva exige ação coletiva, com compartilhamento de inteligência, alinhamento regulatório e investimentos coordenados em capacidades técnicas e humanas.

Em um ambiente econômico cada vez mais orientado por dados, plataformas digitais e inteligência artificial, a capacidade de proteger ativos digitais e garantir confiança sistêmica será um dos principais diferenciais competitivos entre empresas, setores e países ao longo de 2026 e dos próximos anos.

Fonte: Global Cybersecurity Outlook 2026 – World Economic Forum